domingo, 13 de setembro de 2009

Crepúsculo


Quando as folhas secam e o céu parece descascar
Tudo é aridez e aspereza.
Quando meus olhos não conseguem mais umedecer
Tudo se distancia e desaparece
Quando a sombra dobra o caminho do esquecimento
Minhas mãos tremem de medo
De o frio gotejar do tempo escorrendo pela janela
Quando meu grito se perde no vazio das pupilas opacas
Tudo deixa de suspirar diante do doce crepúsculo
Quando a poeira prateada e translúcida da lembrança sufoca
Tudo muda de forma, muda de tonalidade.
Quando eu chamava com sussurros entrecortados por soluços
Tudo estava vazio de você
Quando você separou a nossa estrada
Tudo era solidão e desencanto
Quando ainda assim, sua memória resistiu.
Tudo se perdeu para sempre.
E só restaram os crepúsculos.

Dalva

Foto by Oswaldo de Abreu Filho

2 comentários:

CrazyAnge£ disse...

Dalvita, olha eu aqui ó !
Que coisa mais linda minha amiga :o) Realmente inspirador !
Beijão
Até...

Evandro Ferreira disse...

Inspiração. Não tenho outra coisa a dizer. Parabéns